domingo, 22 de abril de 2012

Novo Regulamento deste Blog


Este artigo foi postado em Gravataí Agonizza no dia 31/07/11 e alterado neste dia neste blog
O rio Gravataí localiza-se no nordeste gaúcho mais precisamente nas coordenadas geográficas 29°45 a 30°12. Sua nascente localiza-se na Planice Costeira tornando um caso peculiar na hidrografia mundial. Sua bacia, entre arroios e banhados, percorre diversas cidades como Santo Antônio da Patrulha, Glorinha, Gravataí, Alvorada, Cachoeirinha, Viamão, Canoas e Porto Alegre somando uma população de mais 1milhão de habitantes que se beneficiam, de alguma forma, de seu leito e ocupando uma área de quase 2mil km². Sua utilização vai desde o abastecimento público da água, eliminação de dejetos urbanos e industriais à irrigação de cereais e leguminosas.
A poluição do estuário é causada pela deposição, sem nenhum controle, de mais de 70% do esgoto não tratado. Há projeto para ampliar o Pró-Gaiba a 100%, mas se arrasta por anos devido a falta de recursos financeiros. Com isto, gastamos milhões como o tratamento da água para ser usada no consumo.
Os habitantes de suas margens são, em sua maioria, pessoas excluídas da sociedade mas necessários para a manutenção de poder de uma oligarquia atuante. São papeleiros, biscateiros, flanelinhas e ociosos vivendo entre a marginalidade e a cidadania nos anos pares com as eleições. Esta marginalização social provoca uma preocupação dos “verdadeiros cidadão”, a violência.
Os governos, nos seus mais de 2 séculos de ocupação, demostraram pouca ou nenhuma preocupação com este estuário nos seus vários aspectos, se atendo prioritariamente na exploração de seus recursos sejam estes minerais, biológicos e humanos. A propósito, a exploração de pessoas para a ascensão de poder será o foco prioritário dos artigos postados.
A expressão, “Gravataí Agoniza”, é uma metonímia, pois o rio não sente dor de forma literal, se referindo então ao sofrimento dos moradores de seu entorno, sejam estes provocadas pela poluição, exclusão, violência ou corrupção. A postagem quinzenal dos artigo será acompanhada de uma explicação semanal em atividades na Escola Aberta.
Os artigos anteriores ao dia 10 de abril de 2012 foram postados no Gravataí Agonizza que por questões técnicas, o blog em questão, acabou não aceitando abrir a página em computadores diferentes daquele que o customizou. Percebendo isto, o redator deste blog, Edgar Dornelles, decidiu fazer novo blog com mesmo título e defendendo as mesmas causas. Desta forma, os artigos daquele blog foram migrados para este. 
Do dia 22 de abril de 2012 em diante não se fará artigos expondo as emoções do redator deste blog; será redigida, neste blog, na terceira pessoa do singular, sempre que possível; os artigos terão que ter alguma relação direta ou indireta com os moradores nas imediações deste rio, nos seguintes temas: ecologia, sociedade e política.
Referências bibliográficas: Secretaria do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul   

domingo, 15 de abril de 2012

Professor Ruas esclarece questões fundamentais da proposta ecossocialista do PSOL



Professor da UERGS em Gestão Ambiental, Antônio Ruas, esclarece algumas colocações e dúvidas do Blog referente a palestra Ecossocialista do Forum Social Temático realizado no dia 26 de janeiro deste ano. Enviado no dia 06 de março: 
Alô Edgar: 

               Obrigado pela atenção. Seguem alguns comentários preliminares sobre as tuas questões. Precisamos encontrar algum tempo a mais para detalhar melhor as questões que colocas. Vamos lá:

1.      O texto retenção de poder ou compartilhado (compartilhamento):
Concordo com tudo, o Partido não deve ser a favor de despotismo, centralismo de decisões, a não ser num processo de centralismo democrático pela base, nos núcleos ou correntes. Também somos contra os CCs e o loteamento de cargos. Claro que nada é totalmente uníssono no Partido, mas claramente podes reivindicar essas posições, reforçando nossas diferenças com os partidos da ordem capitalista e mesmo com os excessivamente centralizados como o PSTU.

2.      Que visão o PSOL tem do programa ambiental e social da gestão federal atual? Se existe um programa, o que  difere da proposta do PSOL? O que presisa ser mudado, de imediato, para desenvolver um programa ambiental e social e quais as propostas a longo prazo?
O programa da gestão federal, do PT e aliados é desenvolvimentista e, em parte menor, capitalista-verde ou desenvolvimentista-sustentável. Isto parece uma enrolação teórica, mas é claramente uma demarcação capitalista que a gestão atual faz. Nesta linha, a apropriação dos recursos naturais se insere na acumulação de capital, não é uma relação de commons.  Assim vais entender a abertura para transgênicos, a privatização de florestas em geral e parques, as grandes obras.
Com mais tempo, podemos debater o que seria uma gestão ecossocialista.

3.      Quais questões do Código Florestal Brasileiro prejudicam o desenvolvimento ambiental e social e por que?
Na decisão de eximir o Estado de promover a recomposição natural e o seu uso sustentável, mantendo as áreas preservadas de APPs e Reservas Legais. Isto para nós aplica-se às propriedades pequenas e médias, que correspondem à produção familiar. Somos contra a posse de grandes propriedades. Estas devem ser estatizadas no seu excesso e reformadas do pondo de vista agrário. Está comprovado que é possível produzir alimentos mantendo a  biodiversidade.

4.      O capitalismo e o socialismo do sec. XX, fracassram na questão da preservação do meio ambiente: poluição do rio Tamiza; explosão da usina termo nuclear de Shernobil, naufrágio da plataforma no golfo do México e etc. Qual é a proposta política ecossocialista para combater a produção desenfreada que destroi e esgota nossos recursos naturais?
Porque eram desenvolvimentistas e também capitalistas no longo prazo, seguindo os modelos estalinistas e pós-maoístas. O maoísmo original mantinha-se como revolução rural e coletivista, mas também era inspirado no estalinismo e inviável no seu aspecto autoritário, centralizador e extremamente redutor na dimensão cultual. Foi derrubado e rapidamente a China virou capitalista de estado e imperialista. A previsão de Trotsky confirmou-se, o estalinismo vendeu a revolução aos capitalistas, via estado democrático burguês ou fascista (ou no caso atual da China, Coréia do Norte e outros, social-fascista). O ecossocialismo não tem nada a ver com estas tradições políticas e não é desenvolvimentista. O ecossocialismo propugna a ecossustentabilidade, a qual abordaremos em próximos textos.

5.      Que alternativas há para Belo Monte no Norte do País?
Belo Monte, Jirau e Santo Antônio são desastres ambientais, afetando profundamente os ecossistemas hídricos e marginais, bem como miserabilizando indígenas e ribeirinhos, assim promovendo um etnocídio.
Do ponto de vista energético, Belo Monte é exemplo de ineficiência, o custo da obra (30 bi) é muito maior do que a justificativa de produção energética, na baixa vazão será deficitária (de 12 000 MW baixa para 4 500 MW). O objetivo maior é o da própria construção, a instalação industrial na Amazônia e a jurisprudência para sucessivas hidrelétricas na bacia do Amazonas, enfim a acumulação de capital. O país não tem crise energética e pode buscar alternativas sustentáveis: solar, eólica, lodo, biomassa sustentável, metano reciclado, biodiesel diversificado e hidrelétricas sustentáveis, sem barramentos anti-ecológicos!

6.      Qual é a proposta alternativa do PSOL para transpor o rio São Francisco? O PSOL tem ou conhece algum projeto que desloque o SF para o sertão nordestino, nas localidades mais carentes? Há algum argumento de um pesquisador sociológico ou outra ciência que concluiu a existência de fins não sociais de transposição?
A proposta do PSOL é não transpor o rio São Francisco, mas recuperá-lo para os pescadores, ribeirinhos e usuários de suas águas. O Bispo Dom Cappio fez greve de fome e quase morreu defendendo o rio e seus cuidadores, deixando claro que esta obra é nefasta, visa levar água para o agronegócio exótico em Pernambuco e Ceará, além de privatizá-la, na medida em que o abastecimento pelos canais artificiais será pago. Vamos dizer a um pescador, ou morador do S Francisco ou do sertão agora cortado pelos canais que ele vai pagar para usar a água, antes natural e pública? É o maior acinte e desprezo pelos pobres que o Governo Lula fez e o atual continua, aliás superfaturando tudo, porque de 5 já está em 10 bilhões!

7.      O PSOL teve acesso a algum documento ou matéria jornalística que relate a existência de 40 projetos de usinas termo nucleares para os próximos anos?
 O número de usinas nucleares declarado como parte da matriz energética do governo tem variado e não é definido. O Ministro Lobão, que pertence... da família Sarney, tem dito que é necessário construir mais usinas nucs no Brasil, e menciona nove ou mais. O que importa é o descaso aos riscos das usinas nucs, sobretudo após Fukushima após a Alemanha abandonar o seu programa. Somos contrários às nucs na atual etapa do conhecimento humano e queremos o fechamento das atuais em Angra. Particularmente sou a favor da pesquisa científica com energia nuclear, garantidas todas as possibilidades de segurança.
8.      O PSOL afirmou na palestra que enviará proposta alternativa ao modelo de preservação atual na RIO+20. Pode antecipar ao Gravataí Agonizza tal proposta?
Isto ainda depende de debates e sistematizações da setorial ecossocialista que pretende realiza-los antes da Rio + 20. Está prevista uma reunião nacional ecossocialista durante a Cúpula dos Povos para divulgar a proposta.
Um abraço ecossocialista e continuamos o debate!
Prof. Antônio Ruas       
 O Gravataí Agoniza, ressalta que, algumas destas perguntas foram respondidas na palestra Ecossocialista do FST, mas por questões técnicas deste Blog, não foi possível acompanhar as colocações dos palestrantes; que foi um membro da plateia que levantou a questão das 40 usinas termo nucleares e posteriormente confirmada pelo Professor Ruppenthal; que a 1ª colocação acima, foi em decorrência de um e-mail particular que o autor deste blog enviou para lucidar algumas questões de nível partidário no tocante a democracia participativa.

sábado, 7 de abril de 2012

Vandalismo no Comitê Petista de Gravataí


Na quinta-feira passada estive no comitê do PT em Gravataí para desfilhar-me e logo na entrada reparo na presença de um brigadiano que guarnecia o local e não existia filiado presente. Perguntei-o a onde se encontra a secretária ou recepsioniasta do partido e ele me respondeu que o local havia sido interditado devido a um atentado que a sede sofreu provavelmente criminoso e sendo que no mesmo mês ocorreram outros dois deste tipo no local.
Sem duvida que se trata de um atentado criminoso: vidros quebrados em posição favorável e seguido de incêndio . Mas a questão é... quem teria interesse neste tipo de ação, pois não é racional. Geralmente as vítimas, quando sofrem este tipo de agressão, acabam criando laços mais firme de solidariedade, sem falar da repercussão midiática positiva desses, desfavorecendo os principais acusados, digo, aqueles que se opõe a proposta petista de governo. E se isto, que ocorreu, teve este propósito, podem estar certo de que o bode-expiatório já tem nome.
O prédio central, do comitê petista, foi construído com madeira, provavelmente pinho e eucalipto. No local, percebi que o forro estava caindo; que a madeira das paredes estavam empenando; que o assoalho estava apodrecendo, havia emendas nas partes mais críticas e mesmo assim o prédio resistiu a três incêndios, só uma pai-de-santo para explicar isto.
Torso para que se trate de um ato de vandalismo de pirraça de adolescente, pois do contrário, se realmente se tratar de um atentado político, seja provocado por quem for, restringirá a capacidade do eleitor de fazer escolhas sensatas.   

O Ecossocialismo na Vanguarda contra o Capital


Na tarde de sábado de 28 de janeiro com início as 13h deu-se uma palestra, organizada pelo PSOL no Fórum Social Temático, com um tema inovador, utilizado por este blog, a associação de discussões sociais com propostas ambientais inserida na esfera política, o ecossocialismo, que veio para lucidar cidadãos participativos preocupados com o futuro próximo que os aguardam. Por se tratar de um conceito novo as argumentações ainda carecem de maior embasamento. No entanto, por abordar problemas que exigem soluções imediatas, esta nova forma de olhar nosso ambiente, no sentido mais amplo da palavra, não só considerando a flora e a fauna mas também a sociedade que por esta se sustenta, torna urgente suas discussões. Eduardo, no final da palestra se comprometeu a responder algumas pergunta não esclarecidas por e-mail. 
Antônio Ruas, professor da UERGS de Gestão Ambiental, abre o “simpósio” dando enfase na questão da justificativa dos capitalistas que usurpam recursos limitados com a desculpa do desenvolvimento, que na realidade é restrita a uma pequena parcela da sociedade. Pedro Ruas, ex-candidato a governador do RS nas eleições passadas, menciona a questão do poder que corrompe as pessoas que alcançam, mas não esmiúça a indagação. Eduardo Luiz Ruppenthal, biólogo e professor do ensino público, traz a tona o assunto dos transgênico, do Código Florestal Brasileiro, da transposição do rio São Francisco e de um suposto projeto para construir 40 usinas termo nucleares. Segundo ele, os transgênicos são legalizados; o CFB permite o desmatamento e a tranposição serve apenas para abastecer latifúndios. E finalizando com Caio que enfatiza a importância da reciclagem do lixo.
A desculpa do desenvolvimento, bem ressaltado por Antônio Ruas, sempre esteve nos discursos neoliberalista, bem como, a produção de frente de trabalho e a arrecadação de impostos, no entanto, bem se sabe que tais alegações nada mais serve do que para sufocar criticas de setores não governamentais que se preocupam com a produção de riquezas numa ótica sustentável. Para estes novos capitalistas o desenvolvimento desenfreado, principalmente em suas dependências externas, digo, países periféricos, é tocado sem nenhuma consideração com seus efeitos a médio e longo prazo. O objetivo é produzir o máximo, ignorando os prejuízos que a vida ambiental e a sociedade, que dela depende direta ou indiretamente, possam sofrer. Para tanto, se vinculam a setores que se beneficia com o enriquecimento vertical, a mídia corporativa, que é mantida pelas grandes empresas.
Pedro Ruas, tocou num assunto bastante interessante, “o poder corrompe”. Vários socialista, que no regime militar, foram submetidos aos mais selvagens tratamentos resistindo para não subverter suas convicções e entregar seus companheiros se rendem as sedutoras lacunas que só a democracia representativa pode oferecer, a corrupção em nome da governabilidade. Foi o que ocorreu em 2005, alguns integrantes do governo, para dar segmento da aprovação de projetos sociais, se viram sucumbidos a ter que “molhar a mão” de deputados de oposição, com perfil corrompível, provocando descrença na proposta socialista na ética de suas ações. Pedro, não se deu conta que estará submetido as mesmas situações caso eleito fosse: perca da governabilidade, caso não alcance a maioria no legislativo; oposição injusta e brutal da mídia corporativa, que sem dúvida não verá vantagem de Vossa posse.
Eduardo Ruppenthal no tocante aos transgênicos relata que o Estado não só permite como também incentiva a produção agrícola com transgênicos. É preciso ressaltar uma questão. Logo depois que a União Europeia se posicionou contra a importação de semente geneticamente modificada alegando, conscientemente, que não se sabe os riscos provocados pela manipulação de seu código genético, o Brasil, com interesses comerciais adere ao embargo deste produto, no entanto, seu vizinho, a Argentina se interessa pela importação. Como as drogas ilícitas transitam com facilidade o contrabando de cementes transgênicas não poderia ser diferente. A União, desta forma, optou por ignorar a decisão de não aceitar cementes trans.
Quanto ao Código Florestal, Eduardo afirma que foi elaborado para anistiar desmatadores. Na realidade o Código anistia apenas quem desmatou até 2008, pois o anterior permitia o desmatamento para avançar na produção agropecuária. As APP's é outra questão controvertida, pois permite sua ocupação desde que não incorra em risco para aqueles que se instalam, para a produção agrícola, continua sendo proibida.
Quanto a transposição do rio São Francisco, o Eduardo, não apresentou projeto alternativo que irrigue o sertão mais necessitado deste recurso. O que é divulgado na mídia é que as obras estão paradas pois a empreiteira concluiu que o valor da licitação ultrapassaram os gastos da obra.
O suposto projeto de construção de 40 usinas termo nucleares nos próximos anos, apresentado por Eduardo, cai por terra, pois sua construção é cara e arriscada, além do mais, o País tem um grande potencial hídrico energético que é muito mais barata. Uma usina nuclear pequena não sai por menos de U$30 bilhões e se fosse real, num período de 10 anos comprometeria o orçamento da União em 10% de sua arrecadação e se igualaria a China no fornecimento de energia nuclear. A realidade é que o Brasil tem em funcionamento duas usinas deste tipo e outra em construção com um projeto num futuro distante a construção de mais três, para fornecer em torno de 10% de energia, obtendo assim uma diversificação da eletricidade e diminuir riscos de apagões.
É preciso deixar claro que o Gravataí Agonizza não concorda com a proposta eco social apresentada pelo governo, no entanto, é fundamental apresentar críticas e fatos coerentes pois as pessoas não são desenformadas. Há a necessidade urgente de se afinar e aperfeiçoar a argumentação critica a estes enganos como os transgênicos; a construção de novas usinas termo nucleares; a usina de hidro elétrica de Belo Monte e do rio Madeira que irá desalojar povoados, indígenas e desmatar uma extensão superior a cidade de São Paulo.
Postado em gravataiagoniza.criarumblog.com em 11/02/12 de mesmo autor, Edgar Dornelles.        

Impeachment Escoimado


Ao longo desta semana, diversos jornais e blog's deram variados depoimentos a respeito do ocorrido no sábado passado em Gravataí com o impeachment da Prefeita Rita Sanco e de seu Vice Cristiano Kingeski e o que mais me interessou foi o blog de Políbio Braga. Ele, relata de forma precisa, todo o processo. Trata-se de um advogado e jornalista, anti-PT, anti-comunista e anti-qualquer outra coisa que sofra metamorfose, no entanto, por apresentar argumentos convencíveis, merece atenção:
Desde a semana passada, quando a juíza Oppitz mandou parar o processo de impeachment, os 10 vereadores trabalharam em sigilo a apresentação de outro pedido. Isto só aconteceu as 15h desta terça-feira, na abertura dos trabalhos da Câmara, pegando os quatro vereadores do PT de surpresa. Indefesos, assistiram de boca aberta a aprovação imediata do processo de impeachment.
O novo pedido foi escoimado (eximado de culpa) das derrapagens legais constatadas pela juíza Oppitz, na decisão de intervir no caso, acionada pelos advogados do PT, o que significa que prevalecerá a decisão soberana da maioria do Legislativo.
Ao que me parece, trata-se de um recurso aceito pelo poder judiciário por não haver lei específica ou clara sobre o assunto. Desta forma, não fica identificado como ato golpista e sim uma interpretação passível de discussão. No entanto, continuo contra o impeachment, por se tratar de um ato desnecessário em uma situação como esta.
Postado em gravataiagonizza.criarumblog.com em 25/10/11 de mesmo autor, Edgar Dornelles.

Golpe ou Legalidade?


Estou, realmente, estarrecido com o ocorrido na semana passada. Trata-se de uma ocupação por parte da Câmara Municipal de Gravataí ao poder executivo, prefeitura, deste município e não encontrei nenhum argumento técnico que o legitime ou condene tal procedimento. Segundo a Sul21, a prefeita Rita Sanco e o Vice cometeram 11 irregularidades e duas passiveis de exoneração, como relata a os vereadores de oposição:
O pedido de cassação de Rita Sanco baseia-se em dois pontos principais. O primeiro refere-se ao procurador-geral do município, Ataídes Lemos da Costa, que estaria atuando como sócio no gabinete de advocacia da filha da prefeita, Raquel Sanco Lima. Outra questão refere-se às renegociações de dívidas feitas pela prefeitura com órgãos como Corsan, RGE e CEEE. No último caso, o valor total chegaria a R$ 120 milhões, em mais de 300 parcelas mensais – o que, segundo a oposição, atrasaria a quitação total da dívida para 2035. No caso da Corsan, a garantia de pagamento envolveria dez anos de retenção de ICMS do município. Segundo a acusação, essas práticas são vedadas pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
Mas nenhuma envolvendo prejuízo ao erário como o desviu de verbas públicas ou o uso da máquina pública para fins pessoais. Esses deveriam, no meu entendimento, serem atos passiveis de exoneração.
Para ocorrer um impeachment ou uma exoneração não deveria ocorrer antes uma CPI?” Indago eu na minha ignorância.
Com isso, o Partido dos Trabalhadores RS emitiu uma nota de repúdio na segunda-feira passada, que por ora, sito alguns fraguimentos:
A Executiva Estadual do PT/RS presta total solidariedade a Prefeita de Gravataí, Rita Sanco e ao Vice prefeito Cristiano Kingeski, cassados pelo voto de dez vereadores da Câmara daquele município. O ato de cassação constitui-se numa violência antidemocratica e absolutamente ilegitima pois sustenta-se exclusivamente na maioria eventual acordada pelos vereadores. A peça acusatória baseia-se em Decreto Lei da Ditadura Militar, editado pelo Mal. Castello Branco e, mesmo assim, não apresenta uma prova, uma evidência sequer de qualquer ato desabonador ou ilegal praticado pela Prefeita e seu Vice.
Um dos “crimes” da Prefeita que levaram a cassação é um acordo com o Banrisul para pagar dívida histórica do município junto a CEEE, cujos termos não só são favoráveis ao Município como foram aprovados pelos próprios vereadores.
As demais acusações são também infundadas, sem nenhuma prova nem evidência. Resta, apenas, uma insana e absurda disputa pelo poder de forma ilegítima e ilegal.
Consultei alguns populares do centro de Gravataí e constatei que a maioria demontrou repúdio a tomada de poder do legislativo. Será que a oposição agiu de forma sensata?
Como não encontrei nenhuma sustentação de cunho técnico, que aprove o ato de afastar a Prefeita e Vice, mantenho meu posicionamento em favor destes por ser membro do partido e por repudiar qualquer ato que ofenda a decisão daqueles que os colocaram na prefeitura, os cidadãos de Gravataí.
Postado em gravataiagonizza.criarumblog.com em 20/10/11, de mesmo autor, Edgar Dornelles.

Os Ventos Manipulam Fantoches Soberanos


Ao longo da história houve diverso eventos naturais que preponderaram na mudança da atividade humana: terremotos, dilúvios, tsunames e outros fenômenos catastróficos manobraram ações e eventos significativo de nossa sociedade. Um destes, sem dúvida, foi responsável pela acensão da hegemonia inglesa no final do século XVI. Trata-se da tentativa fracassada de invasão espanhola a Inglaterra na ilha Gra-Bretânia.
Ao atravessar o canal da Mancha, a Armada Espanhola se depara com o policiamento inglês em sua costa que a intercepta com um ataque veloz mas sem resultados significativos. Os espanhóis ancoram em Calais com a intenção de esperar reforço para ocupar seu rival. Os britânicos sem munição atacam ao anoitecer utilizando os brulotes, embarcações não tripuladas, propositadamente incendiadas e aproveitam a correnteza e o vento favorável. Não tendo outra alternativa, são forçados a arrancar suas ancoras para desviar destas embarcações incandescentes. Na fuga, os espanhóis são obrigados a contornar a ilha saxônica para retornar a sua terra de origem com reforços e equipamentos pois ao sul os ingleses ancoraram e os ventos mantinham seu trajeto em direção ao norte . Ao chegarem na ilha irlandesa são surpreendidos por uma tempestade. O procedimento, nesta situação, é ancorar e esperar ventos mais brandos, mas estavam impossibilitados de pô-lo em prática, pois haviam cortados suas cordas que fixavam suas ancoras para escapar de ataque com brulotes no início do combate. O resultado, naus desgovernadas indo ao encontro das rocha dos paredões irlandeses; 20 mil marinheiros mortos e mais da metade de sua frota comprometida.
Mesmo sem munição, obtiveram sucesso ao derrotar seu invasor utilizando recursos naturais como os ventos e a correnteza marítima com os brulotes; obrigando-os a contornar sua costa para aproveitar ventos favoráveis e ao enfrentar uma tempestade suas embarcações são jogadas nos paradões irlandeses pois haviam arrancado suas ancoras para fujir do ataque anterior. Isto mostra que os fenômenos naturais são preponderantes nas mudanças históricas de nossa sociedade.
Hoje, por outro lado, a interferência se dá de forma inversa, mas causando o mesmo resultado, a intervenção da predestinação de nossa espécie e nicho ocupado. Poluímos o solo que produz nosso alimento; contaminamos o ar e envenenamos nossos rios, a propósito, este será nosso principal foco de debate, mais precisamente no rio Gravataí e seus afluentes, apontando problemas e propondo soluções sócio-ambientas e política gestorial. Este, por sinal, é o rio mais poluído da bacia do Jacuí recebendo os dejetos de mais de 2milhões de pessoas ao longo de suas margens e que fornece água para três cidades grandes do nosso Estado. O resultado desta interferência se reflete nos índices alarmantes que climatologista prognosticaram para o início deste milênio: o aumento de gases estufa como o metano e o monóxido de carbono aumentará a temperatura na atmosfera que implicará na elevação da temperatura do Pacífico que desencadeará o efeito El Niño em proporções gigantescas; causará desgelo da Antártida suspendendo o nível dos oceanos e tirando do mapa grandes cidades litorâneas, nações e ilhas com nível inferior a 3m. Mudanças macro-sociais serão inevitáveis.
Postado em gravataiagonizza.criarumblog.com em 11/10/11 de mesmo autor, Edgar Dornelles.